Separadamente, em relatório detalhando o potencial impacto econômico de um default, o Tesouro alertou que não pagar as contas do país pode punir as famílias e empresas norte-americanas com uma recessão pior do que a crise de 2007 a 2009. O relatório afirma que um default pode empurrar para cima os custos de empréstimo, enfraquecer o investimento e frear o crescimento, causando um prejuízo à economia que pode durar mais do que uma geração.
- Um default seria sem precedentes e tem o potencial de ser catastrófico: os mercados de crédito poderiam congelar, o dólar poderia despencar, as taxas de juros dos EUA poderiam disparar – disse o Departamento do Tesouro. “Os contágios negativos podem reverberar mundo afora, e pode haver uma crise financeira e uma recessão que poderia ecoar os eventos de 2008 ou pior”, acrescentou.
Negativa
Segundo líderes democratas disseram, nesta quinta-feira, o presidente Barack Obama rejeitou apelos dos republicanos para negociar sua lei de saúde nesta quarta-feira como condição para um acordo para aprovar a legislação que acabaria com uma paralisação do governo. O líder da maioria no Senado, Harry Reid, deixou a reunião após mais de uma hora de conversa com Obama, o presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, principal republicano dos EUA, e outros líderes do Congresso para dizer que Obama afirmou aos republicanos que “ele não vai permitir” as táticas que estão sendo usadas por eles.
A líder democrata na Câmara, Nancy Pelosi, disse que Obama não vai invocar uma cláusula na 14ª Emenda da Constituição dos EUA, como forma de elevar o teto da dívida no país. Os Estados Unidos vão ficar sem dinheiro para pagar suas contas em 17 de outubro, se o teto da dívida não for elevado.
– Ele não vai (invocar a 14ª Emenda) – disse ela aos repórteres.
Bolsas reagem
Os principais índices de Wall Street recuaram, na véspera, segundo dia de paralisação do governo dos Estados Unidos, com as disputas em Washington levantando preocupações de que a interrupção parcial das operações federais pode ser prolongada. Somando-se a esses temores, empregadores privados geraram menos postos de trabalho do que o esperado em setembro. Investidores observaram atentamente esses dados porque a divulgação do relatório mais amplo de folhas de pagamento, que ocorreria na sexta-feira, será adiada se um acordo orçamentário não for alcançado.
O índice Dow Jones recuou 0,39%, para 15.133 pontos. O índice Standard & Poor’s 500 teve desvalorização de 0,07%, para 1.693 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq caiu 0,08%, para 3.815 pontos. As perdas foram generalizadas, lideradas por papéis do setor industrial, que recuou 0,4%. A disputa sobre a paralisação está rapidamente mesclando com a batalha sobre o teto da dívida do governo, que deve chegar a um impasse em breve. O Tesouro disse que os EUA atingirão o limite de endividamento até 17 de outubro.
– Eu não chamaria o declínio de hoje de pânico. Mas quão mais durar essa paralisação, com mais notícias sobre o prazo de 17 de outubro, investidores ficarão mais e mais preocupados. Mesmo parecendo impossível, investidores estão pensando que há agora a possibilidade de um default – disse o estrategista do mercado do Prudential Financial, Quincy Krosby.
Líderes parlamentares e o presidente Barack Obama, na reunão desta manhã, discutiram o impasse orçamentário e a elevação do teto da dívida dos EUA. Entre as ações individuais, a possibilidade de uma segunda oferta de ações da Blackberry reverteu a queda do papel após a fabricante de smartphones anunciar que espera sofrer 400 milhões de dólares em encargos antes de impostos relacionados a cortes anunciados no mês passado. A ação avançou 0,3%, para US$ 78,06, após bater mais cedo a mínima intradia em 11 meses, a US$ 77,28.

13:01
Información
Posted in 
Nenhuma resposta ao "EUA não têm como priorizar pagamentos em caso de um calote da dívida"