Mercado prevê redução da Selic a 7,75% em 2013, diz BC




Diante das incertezas sobre a recuperação da atividade econômica e o comportamento da inflação, o mercado ajustou suas projeções sobre os próximo passos do Banco Central na condução da política monetária ao longo de 2013 e agora prevê que a Selic encerrará o próximo ano num patamar menor, a 7,75%.

O movimento, que pode ser o início de um ajuste maior, foi mostrado na pesquisa semanal Focusdo BC divulgada nesta segunda-feira. Nos três levantamentos anteriores, as projeções eram de que a taxa básica de juros ficariam em 8% no período.

De acordo com o Focus, os analistas estimam que Selic, atualmente na mínima histórica de 7,25%, será elevada em 0,25 ponto percentual somente em outubro de 2013 e chegando a 7,75% em novembro.

Entre os Top 5 – grupo das instituições que mais acertam suas análises noFocus -, por outro lado, a perspectiva para a Selic em 2013 é de que permaneça nos atuais 7,25%, posição mantida há três semanas.

Para 2012, também não mudou a aposta no Focus de que a taxa básica de juros permanecerá em 7,25%, diante da indicação do BC de que o ciclo de cortes foi encerrado após a redução de 0,25 ponto percentual feita na Selic neste mês.

Analistas consideram que correm lado a lado os fatores macroeconômicos e a vontade política do governo de manter a Selic em patamares baixos.

- Isso tem a ver com os sinais de que a atividade econômica está demorando para ganhar tração, então o BC manteria os juros nos níveis atuais por mais tempo – avaliou o economista da Votorantim Corretora Alexandre Andrade.

Segundo ele, aumenta o ceticismo entre analistas sobre a recuperação econômica, inclusive com a expectativa de que a produção industrial deve cair em setembro em relação a agosto – depois de subir 1,5% no período anterior -, pressionada pela indústria automotiva.

Em setembro, a produção de veículos novos no Brasil caiu 14,2% contra agosto. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulga na quinta-feira os dados da produção industrial de setembro.

A indústria tem sido uma das principais causas para a fraca atividade neste ano, impactada pela crise internacional. Os analistas consultados na pesquisa do BC indicam, pela mediana, que a produção industrial vai registrar contração de 2,10% neste ano, pior do que a queda de 2,06% no levantamento anterior.

Para 2013, o Focus também mostrou piora no cenário desse setor, com expansão projetada de 4,15%, ante 4,20% esperados antes.

Não por menos, o Focus mostrou que o mercado vê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano deve atingir apenas 1,54%, inalterado sobre a semana anterior. Para 2013, a perspectiva também permaneceu em 4,00%.

O governo tem defendido que a economia já começou a se recuperar após um início de ano fraco, e fala em crescimento de 4% em termos anualizados tanto no segundo semestre como ao longo de 2013.

Inflação

O cenário sobre a inflação é preocupante para a política monetária do ano que vem, destacou o economista sênior do BES Investimentos, Flávio Serrano.

- Vemos a inflação se perpetuando bem acima de 5% e por isso achamos que a Selic deveria subir. Mas em contrapartida o BC diz que está confortável (com o nível de inflação) – disse ele.

Serrano argumentou que o controle da inflação vem acontecendo devido às medidas administrativas do governo, como a manutenção dos preços da gasolina e ações para reduzir as tarifas de energia em 2013.

Os analistas consultados na pesquisa do BC elevaram pela 16a vez a perspectiva para a inflação neste ano, projetando o IPCA agora em 5,45%, ante 5,44% na semana anterior.

Para 2013, por outro lado, a pesquisa mostrou que o mercado prevê agora o IPCA a 5,40%, contra 5,42% anteriormente. Em ambos os casos, ainda longe do centro da meta do governo, de 4,5%.

Os alimentos continuam sendo os principais vilões da inflação, mas analistas já falam em uma perda de força desse movimento nos próximos meses.

Na semana passada, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou para uma alta de 0,57% na terceira quadrissemana de outubro, com um leve alívio nos preços do grupo Alimentação.

A pesquisa Focus desta segunda-feira mostrou também que o mercado manteve a previsão de que o dólar encerrará este ano a R$ 2,01.



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