PSB critica morosidade da presidenta em tomar decisões importantes


Diante de uma ainda remota possibilidade de o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, lançar-se candidato à Presidência da República em 2014, a sigla tem exercido seu direito de criticar, de forma positiva, alguma ações do governo federal. Vice-presidente da legenda de esquerda, Roberto Amaral disse a presidenta Dilma Rousseff leva muito tempo para tomar decisões e está pouco aberta ao diálogo. Amaral, no entanto, afiança o apoio do partido a Dilma e que estará ao lado dela na campanha à reeleição, no ano que vem. Mas nem por isso deixou de afirmar, em uma entrevista nesta terça-feira, que “ela não tem respondido nossas críticas do jeito que gostaríamos. Respeitamos a presidenta Dilma, mas isso não quer dizer que a gente deixe de dar nossa contribuição crítica. O dever do aliado é ser crítico”. Amaral falou também sobre o discurso de Eduardo Campos acerca das próximas eleições.

– Em vez de discutirmos eleições, devemos discutir a crise. Vamos ajudar a vencer 2013. Se não conseguirmos podemos tomar outra atitude, mas no momento estamos com a presidenta. Não será oPSB que irá encurtar o mandato da presidenta Dilma – afirmou.
Segundo Amaral, este é um ano considerado decisivo pelo PSB. O desempenho da economia – associado a formação de alianças e ao desempenho dos prefeitos eleitos pelo partido no último leito – é visto como essencial para o lançamento da candidatura de Eduardo rumo ao Planalto. Caso o desempenho da economia fique aquém do esperado, Eduardo poderá posicionar-se como uma alternativa ao modelo petista de gestão, mantendo o mote das conquistas obtidas pelo Partido dos Trabalhadores nos últimos anos. Neste caso, o modelo de renovação é a chave do discurso a ser adotado.
Presidente estadual do PT, o deputado federal Pedro Eugênio, rebateu as críticas de Amaral e lembrou que os socialistas integram a base aliada e ocupa as pastas do Ministério da Integração Nacional e da Secretaria de Portos.
– Antes de emitir qualquer opinião, seria bom ele falar com o presidente do partido dele, com os ministros que integram o governo Dilma, Com o ministro Fernando Bezerra (integração) e Leônidas Cristino (Portos), já que eles fazem parte do governo e, talvez, sejam responsáveis por essa agilidade. Sugiro que ele, que é vice-presidente do partido, esclareça se está falando por si, porque muitas vezes ele pode estar desinformado, ou se está falando pelo presidente do partido – disse ao jornal Folha de Pernambuco.
Uma década
Amaral e Campos foram convidados para a festa de 10 anos do PT no poder, marcada para esta quarta-feira 20. Nela estará presente o ex-presidente Lula que, em seu discurso, usará uma frase cunhada pelo ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln: “Um governo do povo, pelo povo, para o povo”. O slogan remonta à história do presidente mais cultuado da história norte-americana e, curiosamente, o fato de que ele se utilizou da compra de votos no Congresso para tornar factível a aprovação de uma emenda constitucional que abolia a escravidão no país, atitude que hoje o levaria à prisão perpétua.
Até quase o momento da votação, o presidente e sua equipe não tinham ainda os votos necessários, o que exigiu uma negociação bastante habilidosa entre contrários e apoiadores à proposta, em troca de cargos e outros benefícios. A história está em cartaz no cinema com o filme ‘Lincoln’, dirigido por Steven Spielberg, um dos concorrentes ao Oscar. A estratégia do ex-presidente foi definida pelo humorista José Simão como uma espécie de “mensalation” – o precursor de todos os “mensalões” que vieram depois.
Para defender seus valores e conseguir proporcionar ao país aquilo que acreditava – o tratamento igual a todos os seres humanos –, Lincoln precisou se utilizar de artimanhas do submundo da política, sujando assim suas próprias mãos. Não muito diferente do Congresso brasileiro atual, a casa legislativa norte-americana daquele tempo tinha princípios, porém, que só poderiam avançar quando também havia o convencimento entre seres humanos que olhavam para seus próprios interesses.
Discursou Lincoln à época, após quatro anos de guerra civil: “Oitenta e sete anos atrás, nossos pais trouxeram neste continente uma nova nação: concebida em liberdade, e dedicada à proposição de que todos os homens são criados iguais. (…) É bastante para nós estarmos aqui dedicados à grande tarefa que resta diante de nós, que a partir desses mortos honrados cresceu a causa pela qual deram a última medida transbordante de devoção, que nós façamos com que estes mortos não terão morrido em vão, que esta nação, sob Deus, terá um novo nascimento da liberdade. E que o governo do povo, pelo povo e para o povo, não perecerá da terra”.
Encontro de companheiros
A festa do PT também será marcada pelo primeiro encontro entre a presidenta Dilma e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo da Ação Penal 470, o chamado ‘mensalão’, a 10 anos e 10 meses de prisão. Alinhado ao discurso, um material preparado pelo partido, intitulado O decênio que mudou o Brasil, será distribuído à militância durante o encontro em São Paulo, comparando as gestões do PT e do tucano Fernando Henrique Cardoso, principalmente comparando números que destacam o desenvolvimento social e econômico do país.



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