O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou a Brasília, nesta quinta-feira, para encerrar um giro de três dias pelo Mercosul. Nesta tarde, ele se reúne com Dilma Rousseff para discutir a cooperação bilateral, em especial na questão dos alimentos, um problema para a nação caribenha, que sofre com inflação e obstáculos no abastecimento. De manhã, o venezuelano conversou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na véspera se encontrou com o presidente egípcio, Mouhamed Mursi.
As autoridades brasileiras informaram que a visita de Maduro é para incrementar as iniciativas de integração produtiva, segurança alimentar, políticas públicas, saúde e desenvolvimento social e tecnológico. Os dois países também apoiam iniciativas de cooperação trilateral no Caribe, cujo foco é baseado na agricultura familiar e no desenvolvimento social. O comércio entre o Brasil e a Venezuela aumentou sete vezes, comparando o período de 2003 a 2012. No ano passado, o comércio bilateral alcançou o recorde histórico de US$ 6,05 bilhões. As exportações brasileiras de manufaturados para a Venezuela cresceram 30% em 2012, alcançando 65% da pauta exportadora.
O processo de adesão da Venezuela ao Mercosul segue o cronograma acertado pelo bloco, com a adoção da nomenclatura comum e com o início da convergência à Tarifa Externa Comum. A visita de Maduro ocorre no momento em que a oposição na Venezuela, liderada por Henrique Capriles, candidato derrotado, levanta dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral. Maduro venceu Capriles por mais de 200 mil votos.
Presidente peronista
Na véspera, em Buenos Aires, ele e Cristina Kirchner aproveitaram o encontro na Casa Rosada para render homenagens a Hugo Chávez, morto em abril, a Néstor Kirchner, morto em 2010, e ao ex-presidente argentino Juan Domingo Perón, falecido em 1973.
– Sou o primeiro presidente chavista da Venezuela, trabalhador, e segundo presidente peronista, porque o primeiro presidente peronista foi Hugo Chávez. Ambos governos somos duas forças terrenas de mudança, e temos relações de confiança, e nossos povos agora se conhecem, se gostam, se respeitam e se admiram – afirmou Maduro.
Para o presidente da Venezuela, o século XXI é o século “da união, do reencontro com as raízes, da liberação de nossos povos, da consolidação de uma verdadeira nação de repúblicas sul-americanas”. Ele comemorou ainda os 12 acordos de cooperação celebrados entre os dois países. O mais importante, na visão de Maduro, são os que visam a dar segurança alimentar à nação caribenha. “Argentina e Venezuela: gás e alimentos. A equação perfeita”, resumiu, admitindo que o governo sofre com os problemas “severos” de abastecimento. “Nosso objetivo é garantir a reserva alimentícia, os alimentos básicos, para três meses, abonada com produção interna, mas também com produtos argentinos”, acrescentou.
Já Cristina recordou que Chávez e Kirchner nutriam uma boa amizade, que se transformou em uma “ajuda inestimável” da Venezuela à Argentina. Empréstimos venezuelanos garantiram estabilidade à Argentina após a renegociação das dívidas com instituições multilaterais, em especial o Fundo Monetário Internacional (FMI), fruto da quebra de 2001-02. “Obrigado por esta primeira visita como presidente da Venezuela à Argentina. Devo confessar-lhes que quando uma pessoa recebe a um amigo costuma estar feliz e contente, mas, quando falta outro amigo, essa alegria tem sensações cruzadas, sentimentos encontrados”, disse a presidenta.
No setor energético, a governante argentina ressaltou o interesse de seu governo em “unificar e aprofundar laços” com a PDVSA, companhia petrolífera estatal venezuelana, com a qual assinarão novos e “mais importantes” convênios. Cristina explicou que, tanto ela como Maduro, falaram de iniciar “políticas claras e concretas” para “avançar nos projetos de inclusão social tão fortes que ocorreram na América do Sul”.

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