No último dia 22 de agosto, o BC anunciou que faria leilões de swapcambial de segunda a quinta-feira, com oferta de US$ 500 milhões por dia. Às sextas-feiras, será oferecido ao mercado o crédito de até US$ 1 bilhão, por meio dos leilões de venda com compromisso de recompra. Na última sexta-feira, foi feito o primeiro leilão dessa programação.
Segundo o BC, esse programa se estenderá, pelo menos, até 31 de dezembro de 2013, e pode totalizar US$ 60 bilhões. A autoridade monetária informou ainda que poderá fazer operações adicionais, se julgar apropriado.
Segundo pesquisa do BC com instituições financeiras, o dólar deve encerrar o ano cotado a R$ 2,32. Para a instituição, o anúncio prévio dessas operações ajuda a aumentar o horizonte de planejamento dos agentes econômicos e a reduzir as oscilações da cotação do câmbio. A programação de leilões diários é pouco usual. A ação do BC lembra o período de tensão pré-eleitoral, em 2002. Naquele ano, o banco fez intervenções diárias chamadas de “rações diárias” no mercado.
A alta da moeda no país é reflexo da intenção do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, de reduzir os estímulos monetários. O Fed poderá aumentar os juros e diminuir as injeções de dólares na economia global, caso o emprego e a produção nos Estados Unidos mantenham o ritmo de crescimento e afastem os sinais da crise econômica iniciada há cinco anos. Se a ajuda diminuir, o volume de dólares em circulação cai, aumentando o preço da moeda em todo o mundo.
Crise na Síria
Mesmo com o leilão do BC, o dólar registrava alta ante o real nesta terça-feira, voltando ao patamar de R$ 2,40, em um momento de aversão ao risco nas praças internacionais diante de temores de ataque iminente dos Estados Unidos e aliados à Síria. O novo componente de instabilidade no mercado parecia limitar os efeitos do programa de leilões cambiais do Banco Central. Alguns analistas acreditavam que a autoridade monetária, que nesta manhã anunciou leilões de rolagem deswap cambial que vencem em outubro, precisará elevar o grau de intervenção no mercado para se adaptar ao novo cenário de incerteza.
Às 12h05, o dólar avançava 0,69%, a R$ 2,4002 na venda, após subir 1,29% na sessão anterior, para R$ 2,3837. O volume estava em torno de R$ 350 milhões, segundo dados da BM&F.
– O dólar está faz tempo com grande volatilidade, mas a tendência ainda é de alta – afirmou um operador de corretora estrangeira, que pediu anonimato.
A moeda norte-americana chegou a subir mais de 1% neste pregão, aproximando-se na máxima de R$ 2,42.
– Com certeza (o programa do BC) está longe de ter eliminado as fortes variações que (o dólar) estava tendo. O cenário continua bastante preocupante e talvez o BC tenha que fazer mais leilões além dos programados – afirmou o operador de câmbio da corretora Intercam, Glauber Romano.
Nesta terça-feira, o BC vendeu 10 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 2 de dezembro de 2013, como parte de seu plano de intervenções, cujo potencial é de US$ 60 bilhões. Entre segunda e quinta-feiras, o BC ofertará 10 mil contratos de swap por dia e, nas sexta-feiras, ele fará leilão de venda no mercado à vista com compromisso de recompra no valor de US$ 1 bilhão. Após o leilão, a autoridade monetária divulgou um cronograma de rolagem de 135.300 contratos com vencimento em 1º de outubro deste ano.
As ofertas serão realizadas 16, 17 e 18 de setembro coincidindo com as datas da reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, marcada para 17 e 18 de setembro e na qual investidores acreditam que o Fed poderá decidir reduzir suas compras mensais de títulos. É justamente a preocupação com o futuro da política monetária dos EUA que desencadeou o processo de valorização internacional do dólar. Além disso, a possibilidade de os Estados Unidos e seus aliados atacarem a Síria adicionou instabilidade aos mercados e fez os investidores se livrarem de aplicações de risco, como moedas de país com economias menos desenvolvidas. Em vez disso, eles procuravam ativos considerados “porto-seguro”, como o ouro no mercado à vista, que atingiu a maior cotação em 11 semanas.
Em relação ao peso mexicano, a divisa dos Estados Unidos subia mais de 1%, já o dólar australiano se desvalorizava 0,7%, e o dólar neozelandês perdia 0,68%.
– O temor de ataque na Síria afetou os mercados fortemente. Vamos ver se o BC vai manter o cronograma ou alterá-lo – afirmou o operador de um banco estrangeiro, citando que o mercado de câmbio está bastante agitado e nervoso.

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